DECIFRANDO O CÂNCER: DA BIOLOGIA DO TUMOR À CIÊNCIA DO ESPÍRITO
Obra no prelo, a ser lançada em agosto de 2026 pela AME, a Editora da Associação Médico-Espírita de Minas Gerais (AMEMG).

Eis o roteiro da obra:
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO – Dr. Jaider Rodrigues de Paulo
PREFÁCIO –
PARTE I – DOS ASPECTOS FÍSICOS
Cap. 1 – O Que a Ciência Nos Diz Sobre o Câncer
Cap. 2 – Breve História do Câncer
Cap. 3 – Patogenia Tumoral
Cap. 4 – A Inteligência Molecular dos Tumores
Cap. 5 – Presente de Grego
Cap. 6 – Agentes Físicos Protumorais
Cap. 7 – O Terreno Cancerígeno
Cap. 8 – A Guerra Contra o Câncer
Cap. 9 – Nas Linhas de Frente
PARTE II – DOS ASPECTOS METAFÍSICOS
Cap. 1 – Além do Paradigma Materialista
Cap. 2 – Uma Doença Cármica: As Teses Espiritualistas
Cap. 3 – A Tara Sicótica: O Aporte da Homeopatia
Cap. 4 – A Transgressão Primária: A Contribuição de Pietro Ubaldi
Cap. 5 – A Síndrome Maligna em Seu Mais Profundo Significado
Cap. 6 – Agentes Psíquicos Protumorais
Cap. 7 – Espelho da Alma: A Chave do Câncer
Cap. 8 – O Fardo da Revolta
Cap. 9 – O Perfil do Doente de Câncer
Cap. 10 – Reflexões Sobre a Sagacidade dos Tumores
Cap. 11 – Unidade de Ação
Cap. 12 – Mutação Anímica
PARTE III – DA PREVENÇÃO E DA TERAPÊUTICA
Cap. 1 – Supressão Tumoral
Cap. 2 – Medidas Preventivas
Cap. 3 – As Dores do Câncer
Cap. 4 – A Cura Definitiva
Cap. 5 – Autocura do Câncer
Cap. 6 – Psico-oncologia Transcendentalista
PARTE IV – DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
Cap. 1 – Um Novo Despertar
Cap. 2 – Análise dos Casos
Cap. 3 – Entre Teses e Antíteses
Agradecimentos
Glossário
Índice Remissivo
Bibliografia
APRESENTAÇÃO
Esta é uma obra futurista. Busca compreender por que as neoplasias, em especial as malignas, têm ganhado tanto terreno na atual época pela qual está passando a humanidade. É alarmante o número de famílias que estão vivendo tal problema. Dificilmente encontraremos pessoas que não tenham uma experiência familiar para narrar seus sofrimentos nessa área. Várias justificativas têm sido chamadas a socorrer o desconhecimento diante de tal fato, mas nenhuma delas é satisfatória e resiste a críticas mais embasadas.
Na minha juventude, era raro ouvir falar sobre esse tipo de enfermidade. O tema era tratado aos cochichos, pois tinha uma conotação punitiva para quem possuía tal infelicidade de portar o mal do câncer. Cheguei a ouvir pessoas falarem que, a algumas quadras de onde eu morava, havia um senhor que padecia de tal mal e que a família estava cobrando para quem quisesse ver alguém padecente desse tipo de doença. Parece incrível, mas cheguei a presenciar essa proposição. Havia no ar uma atmosfera de “crime e castigo” e muitas pessoas tinham dificuldades em falar do assunto quando eram acometidas por esse mal. As famílias seguiam tais atitudes porque parecia que era um estigma alguém pertencente a ela estar sofrendo tal infelicidade. Assim, não se atreviam a falar o nome câncer e sim “doença ruim”. Passei a presenciar o sofrimento de tais pessoas, quando fazia parte de um grupo de voluntários espíritas que, aos domingos, visitava um determinado hospital público em Belo Horizonte, que funcionava precariamente como local onde pacientes terminais eram levados para falecer. Evitavam, com isso, traumatizar com seus sofrimentos os demais que ainda tinham alguma chance de recuperação, embora com escassas possibilidades terapêuticas. Eram alocados para falecerem sem escandalizar a sociedade e os demais pacientes. Por mais doloroso que pareça, lá não havia analgésicos para aliviar as suas dores. Presenciei crianças, adolescentes, adultos e idosos em extremo padecimento sem o socorro para alívio de seus sofrimentos. Morava lá um jovem estudante de Medicina, com poucos recursos financeiros, evangélico, que usava o local por não ter onde viver enquanto estudava. Buscava em laboratórios amostras grátis de antiálgicos para socorrer aquelas almas abandonadas pelo serviço público da época. O local sofria de todas as precariedades. Gemidos eram constantes, fazendo do lugar um painel de sofrimento. Muito embora observássemos a presença da ajuda espiritual minorando tais desditas, pois víamos situações dramáticas, como doentes que, embora detidos em sofrimentos superlativos dado a extensão da enfermidade, ainda tinham sorrisos nos lábios e intensa resignação diante de tamanha dor. Presenciamos certa feita, nesse local, uma cena impressionante: adentramos uma enfermaria onde havia três senhoras sentadas na cama. Uma se encontrava muito triste e apática. Iniciamos a conversa quando uma delas falou: “Ela está assim porque o marido dela disse que tinha arranjado uma nova mulher, pois tinha as suas necessidades como homem que ela não mais supria”. Um rapaz que acompanhava a equipe, aproximou-se dela e de frente, colocando uma das mãos em seu ombro falou-lhe: “As grandes dores são para os grandes corações”. Ela deu um grande sorriso e seus olhos irradiaram uma alegria intensa. Olhou para o rapaz e respondeu: “Menino você não sabe o bem que me fez”. Ao voltarmos na próxima visita, ela havia desencarnado. Foi uma metamorfose que nós não soubemos explicar. São coisas que se passam no relicário do coração das pessoas em grande sofrimento que não alcançamos. O câncer tem a propriedade de ir ao mais profundo da alma humana.
Naquele local, não víamos médicos ou enfermeiras, apenas atendentes, que seriam hoje designados como cuidadores. Muitos dos pacientes eram do interior, o que tornava raras as visitas de familiares. Era comum não vermos mais os mesmos pacientes na visita seguinte. Já haviam falecido. Uns chegavam a se despedir de nós ao término do encontro, em agradecimento. Esse hospital hoje melhorou muito e parece cumprir o papel que se espera de um estabelecimento para tratamento de câncer.
Quando formado, cheguei a encaminhar alguns pacientes que manifestavam o desejo de trabalhos filantrópicos e que estavam em condições de lidar com essa situação para auxiliar os pacientes desse hospital. Também como terapia de “choque” para outros que se refugiavam no vitimismo refratário, na intenção de que aprendessem a valorizar mais as suas vidas.
O câncer está muito arraigado no conceito popular como sofrimento, morte e castigo divino. E sofrem o paciente, os parentes e os amigos por tal crença. Por isso, observamos muitos esquivarem-se da ajuda médica para evitar o diagnóstico e não ter que enfrentar o problema, convivendo com o fantasma da dúvida. Postergam em muito tal situação, procurando recursos somente quando a enfermidade já se agravou muito e não tem mais possibilidade de reversão.
Há também aqueles que, diante do sofrimento que muitas vezes a terapêutica causa, recusam-se a continuar o tratamento após iniciado, devido aos efeitos colaterais. Tenho visto pequeno número negar-se ao tratamento, pessimista quanto à possibilidade de curar-se.
Muito se tem estudado, filosofado e pesquisado a respeito das neoplasias, tanto pela ciência quanto pelas religiões. É um campo vasto de interrogações e pesquisas. Mas o certo é que sua presença na atual fase de evolução da humanidade tem causado algumas interrogações principalmente pelo aumento alarmante em todos os continentes do planeta. Estaria o fato dentro de um período de existência da humanidade por questão aleatória, ou o fato parece denunciar alguma coisa que não temos percebido e que agora estamos em condições de perceber? Talvez a solução desse grande enigma esteja no entendimento do que as tumorações queiram nos dizer, ao analisar o seu desenvolvimento. Seria um chamamento para que a consciência encarnada perceba algo sobre o seu caminhar em uma série de reencarnações?
O autor desta obra é um estudioso do assunto além de ter experiência do processo em sua própria vida. Buscou fundamentar a sua percepção do assunto dentro dos postulados e avanços científicos, analisando os escritos, conclusões e dúvidas de outros pesquisadores. Valeu-se dos construtos e das experiências da revelação Espírita, com o seu manancial de conhecimentos libertadores. Introduziu a sonda na saudável busca no vasto território da Espiritualidade. Percebeu as verdades luminescentes das inspirações ubaldianas. Por fim, buscou com sua sensibilidade espiritual, o principal roteiro da humanidade que é o Evangelho de Jesus Cristo.
Belo Horizonte, 11 de fevereiro de 2026
Jaider Rodrigues de Paulo
Médico formado pela Faculdade de Ciências Médicas em 1975. Formação em Psiquiatria pela FHEMIG (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais). Formação em homeopatia pela Sociedade Brasileira de Homeopatia. Formação em Serviço de Saúde e Administração Hospitalar pela UNAERPSP. Sócio Fundador da AMEMG. Diretor Médico por mais de vinte anos do Hospital Espírita André Luiz. Escritor espírita e palestrante.
PREFÁCIO
O câncer é, seguramente, a mais dramática e intrigante das patologias que ameaçam a vida e a felicidade humana na Terra, por devorar sonhos, dilapidar destinos e abater os mais fortes organismos. Revelando seu imenso poder destruidor ao longo dos séculos, tornou-se uma das mais amedrontadoras de nossas enfermidades, despertando pavor, repulsa e maus agouros apenas pelo ressoar de seu nome.
Sem estar, até então, devidamente compreendido e controlado pela ciência médica moderna, ele segue como um de seus maiores desafios e um enigma ainda longe de ser decifrado. A despeito de todo o formidável arsenal de guerra desenvolvido pela inteligência humana, sobretudo nas últimas décadas, a sagaz patologia segue com seu cortejo de tormentos, ceifando vidas em seu caminho. Deixou de ser uma sentença de morte, como era até o fim do século passado. Contudo, seu diagnóstico ainda é fonte de incertezas, e seu tratamento, de inseguranças e agruras.
Com suas ferinas garras, o câncer acompanha a história da medicina, sempre empenhada em erradicá-lo, e muito já se escreveu sobre ele, com as mais variadas propostas sobre sua origem, prevenção e tratamento. Cientistas e pesquisadores, em todos os tempos, dedicaram-se – e ainda se dedicam – a desvendar seus mecanismos de ação e suas reais causas, visando erradicá-lo em definitivo. Cifras enormes foram investidas nesses esforços, e, a despeito de parciais vitórias sobre seus ataques, não se chegou até o momento à elucidação de sua verdadeira natureza e real causa e, consequentemente, à sua completa superação. Calcula-se que 50% dos tratamentos continuem ineficazes, podendo causar efeitos colaterais graves sem trazer qualquer benefício.
Espiritualistas das mais diversas escolas debruçaram-se com propriedade e sabedoria sobre suas raízes, descrevendo-as no campo sutil do Ser. Sobretudo entre os espíritas, encontramos avançadas propostas para suas motivações, remetidas ao terreno consciencial do Espírito em evolução. Ainda que tais teses tenham nos favorecido com explicações que justificam sua presença na seara humana — composta por almas já cônscias de seus atos —, deixaram-nos sem entender por que o câncer é encontrado em toda a natureza, da qual parece fazer parte, uma vez que sua presença é incontestável entre os animais, mesmo os mais primitivos, e sequer os vegetais lhe escapam.
Admitimos que antepor uma expiação por faltas do passado como causa de um ataque tumoral, como o faz a Doutrina Espírita, confere a ele a justiça que esperamos da Lei Divina. Todavia, o montante de suas dores ante equívocos que parecem tão diluídos no tempo não deixa de nos premer os sentimentos. Impossível, por exemplo, não nos amargurarmos diante de uma criança acometida por um devastador tumor nos seus primeiros anos de vida, impondo-lhe tormentos por dois ou três anos para, então, levá-la de volta ao plano espiritual. São quadros dramáticos que trazem padecimentos indescritíveis não apenas para ela, mas para todos os envolvidos no processo, sobretudo os pais. Suas agruras se somam às fráguas impostas por seus tratamentos, eivados de drásticos efeitos. E isso em meio a demoradas internações hospitalares, regadas a angústias, temores, isolamento e desesperanças – uma longa e dura batalha que, na maioria dos casos, somente cessa com a morte, deixando sonhos devastados e alegrias para sempre mutiladas em todos que acompanham o flagelo do câncer.
Não há também como não se deixar comover ao visitarmos uma enfermaria de pacientes oncológicos, muitos desfigurados pela doença e por suas agressivas terapias. Como impedir que lancemos um brado rumo ao Criador suplicando por explicações que nos consolem a alma profundamente abalada ante tão duro realismo? Ainda que aceitemos que a Lei de Deus seja perfeita e que não há sofrimentos injustificáveis, nossos corações pesam, exigindo justificativas para tais espantosas tragédias, as quais parecem desmentir a Misericórdia e a Complacência que imputamos ao Criador. Por isso, precisamos avançar no tema, procurando penetrar um pouco mais em seus mistérios.
Todas as propostas são bem-vindas nesse esforço conjunto de ir além de nossos conhecimentos atuais. Aqui expomos nossa singela colaboração. E escrevemos não como oncologista, pois não o somos, mas apenas como um médico generalista e curioso, que anseia oferecer sua pequena contribuição. Como nos especializamos em homeopatia e penetramos até onde nos foi possível na Medicina do Espírito, acreditamos que algo possamos agregar de útil ao refinamento de nossos conceitos.
Não há dúvida de que, entre tantas outras escabrosas doenças que nos assediam e comprometem nossa felicidade e a vida na Terra, o câncer é uma das que mais nos impressionam. Nos primeiros contatos com a disciplina de Patologia na Faculdade de Medicina da UFMG, onde nos formamos, intrigavam-nos sobremodo as artimanhas dessa assustadora enfermidade, suscitando todo estudioso sincero a aprofundar-se em sua elucidação. Recordamo-nos, com imenso dissabor, da amarga impressão que nos feria de modo indelével a alma ao percorrer os leitos de pacientes com câncer terminal no antigo Hospital Borges da Costa na capital mineira. Quase todos em estado lastimável, intensamente desfigurados pelas chagas, ali recebiam a caridade de cuidados paliativos, aguardando que a morte, compadecida, os libertasse de seus inenarráveis dramas. Depois, na larga vivência clínica de mais de 40 anos, tivemos a oportunidade de acompanhar diretamente vários pacientes a se debaterem entre as garras da insídia maligna, muitos com desfechos dramáticos, corroendo-nos de insopitáveis amarguras.
Nosso maior interesse pelo tema, contudo, aflorou ao acompanharmos de perto um ente muito querido que sucumbiu após dois anos de dolorosa batalha contra um impiedoso tumor, partindo o coração de todos pelo montante de seus padecimentos. E somamos a esse especial drama o fato de que, por nossa vez, recebemos o indesejável invasor em 2019. A ameaça de uma fatídica evolução forçou-nos a enfrentá-lo com os recursos disponibilizados pela medicina convencional –, única segurança de sobrevida, na medida em que a homeopatia não nos garante sua superação. Estamos convencidos de que a arte terapêutica de Hahnemann age estimulando nossas próprias forças endógenas no combate às doenças. Valemo-nos dela, todavia, não nos foi possível aguardar por essa resposta diante de um processo que avançava celeremente.
Superamos o episódio, graças ao arsenal químico moderno, à intervenção cirúrgica e à radioterapia, disponibilizados pela medicina e permitidos pela Misericórdia Divina. Seguimos, desde então, gozando de boa saúde, carreando algumas pequenas sequelas do processo, porém imensamente agradecidos pelo indispensável apoio médico. O fato estimulou-nos a imergir ainda mais nos estudos e pesquisas sobre o tema, e passamos a vasculhar tudo o que nos trazia esclarecimentos sobre a drástica patologia. Transcorridos cinco anos e já praticamente livres de recidivas do episódio, vimo-nos na obrigação de retribuir à vida a dádiva recebida. E o mínimo que podíamos fazer era apresentar aos companheiros de jornada o produto de nossas conjecturas em torno da intimidadora moléstia.
Experimentamos a sensação de fragilidade e de impotência ante as forças ocultas de um pérfido inimigo que nos consumia as carnes de modo sorrateiro, impiedoso e enigmático. Tal vivência nos autoriza a falar dos sentimentos que a doença evoca, das lições que ela nos faculta e da necessidade de municiar-nos com recursos além dos convencionais para enfrentá-la com a galhardia e a coragem requeridas pelas Leis da vida.
Este trabalho, contudo, não é uma exibição de sabedoria, o que não possuímos. Trata-se nada mais que uma coletânea de informes extraídos da medicina oficial e das revelações espiritualistas, em torno dos quais nos aventuramos a extrair algumas ponderações. Conhecemos nossa insuficiência, porém, consola-nos a possibilidade de que este despretensioso trabalho venha a incentivar os mais habilitados a aprimorarem-no, tornando-o de fato útil ao avanço de nossos conhecimentos.
A despeito de conter um sólido acervo de dados científicos, resultado de extensas pesquisas em torno do tema, esta não é uma obra de ciência. Sua grande tônica se assenta nas revelações espirituais, únicas capazes de penetrar na atmosfera dos mistérios da vida e do Ser. E, para isso, sabemos que não basta interrogar livros, vasculhar a internet ou mesmo tornear conceitos com a ajuda da IA. Faz-se indispensável contar com o apanágio da inspiração superior, sem a qual nada se pode agregar a qualquer tema que nos importa conhecer.
Após demorada colheita das informações disponíveis, atiramo-nos à tarefa de sequenciá-los da maneira mais lógica e acessível possível no verão de 2024. Em seguida, empenhamo-nos em iluminá-los com os fachos da Espiritualidade – únicos capazes de dilatar-nos a forma de compreendê-los sem violarmos as exigências da razão. Evocamos ainda as assertivas do Cristo para corroborar certas aferições, pois as acatamos como a mais fiel chancela de que dispomos da verdade, apesar de o mundo científico não lhes dar o devido crédito.
Fizemos uma primeira aproximação do tema na primavera de 2012, ao escrever um pequeno texto sob o título de Metafísica do Câncer, o qual se acha exposto em nosso site pessoal. Nessa época, não o havíamos ainda experimentado na própria carne e não detínhamos autoridade para falar de suas intimidações e das lições que dele podemos extrair. Posteriormente, reescrevemo-lo, a fim de incorporá-lo à obra Medicina do Espírito, também de nossa autoria e publicada em 2025, em um capítulo então denominado Lesão Patognomônica da Revolta. Esses ensaios encorajaram-nos a emoldurá-los em um livro para melhor disponibilizá-los aos interessados, o que nos permitiu agregar novos escólios ao pertinente tema.
O esforço de deslindar as reais motivações do câncer se justifica por ele estar na ordem do dia em nossa humanidade. Uma vez que superamos a maioria das epidemias que nos assaltavam a felicidade e a vida na Terra, ele se destaca como uma das mais assustadoras enfermidades na atualidade, representando um dos maiores desafios da moderna ciência médica.
E acreditamos que, ao exigir-nos decifrar suas causas e seu significado, ele nos traz uma das mais importantes mensagens que nos compete apreender no estágio evolutivo em que nos encontramos. Trata-se, seguramente, de ilações que não só satisfarão nossa sede de saber, mas que, uma vez absorvidas, nos guarnecerão de melhores recursos para enfrentar seu devastador ataque e, sobretudo, a superá-lo com êxito.
É chegada a hora de compreendermos que não podemos entregar nossa cura unicamente aos recursos que a medicina nos propõe. Remédios, de qualquer natureza, não podem nos educar na arte de viver, sentir, pensar e atuar de acordo com a Lei Divina. E sequer detêm a capacidade de ativar nossas poderosas forças endógenas na manutenção da almejada saúde. Estamos certos de que jamais nos livraremos dos terríveis tentáculos do câncer ou mesmo de outros males sem que aprendamos a viver no equilíbrio da Lei.
Ademais, prevemos que a arremetida maligna se fará a cada dia mais frequente em nossa espécie, em decorrência das exigências do atual momento evolutivo que atravessamos, o que melhor explicaremos nas conclusões do estudo. Atualmente, o câncer é a segunda causa de morte em nossa espécie, superado apenas pelas doenças cardiovasculares. Contudo, não demorará a ocupar o primeiro lugar, pois já assistimos ao seu paulatino aumento na atualidade.
E, não nos iludamos, todos trazemos um câncer adormecido em nosso imo. Se ele vai despertar ou não, só as rédeas do destino o sabem, uma vez que nossa consciência superficial ignora a hora da colheita. Apenas uma leitura profunda e sincera de nossas paisagens interiores pode nos indicar se temos ou não um encontro com seus acúleos, uma vez que tudo já está previamente determinado em nossos roteiros pré-reencarnatórios.
Então, torna-se imperativo preparar-nos para atravessar a intempérie carcinógena, que a qualquer momento poderá se precipitar em nossas paragens orgânicas. Precisaremos não só dos recursos de que a medicina moderna nos dispõe, mas, e sobretudo, de subsídios conceituais para enfrentá-la da melhor maneira possível. Sendo ainda premente convencer-nos de que, se continuarmos semeando as suas causas e expondo-nos aos seus excitantes, será impossível não colhê-lo em nossas carnes. Trata-se, portanto, de conhecimentos valiosos que não só nos consolarão ante a procela tumoral, como também nos permitirão aplacá-la definitivamente em sua real fonte: a lavoura da alma.
Contudo, que o Leitor esteja certo de que não ofertamos aqui soluções miraculosas para a superação da ameaça tumoral. Embora a obra se debruce sobre medidas preventivas e propostas não medicamentosas para se enfrentá-la, seu mote é a oferta de ponderações que nos ampliem o entendimento da enfermidade, sanando-nos a revolta, a indignação e o desalento que costumeiramente nos invadem a alma ante seu assalto, motivados, sobretudo, pela ignorância dos lídimos propósitos que o movem.
Dirigimo-nos principalmente aos estudiosos que estão interessados em ir além das aferições da medicina materialista e anseiam transcender suas limitadas interpretações. Especialmente, àqueles que se acham pérvios às crenças espiritualistas e creem que a vida não flutua ao sabor do acaso, mas se subordina a um comando superior que imputamos a Deus. Estes é que estão preparados para avançar um passo mais na Ciência do Espírito, a única que poderá revelar-nos a verdadeira origem da precipitação neoplásica e dar-nos a conhecer o importante papel que ela desempenha em nossa economia espiritual. Somente assim estaremos habilitados a desenvolver uma metodologia terapêutica capaz de eliminá-la de nossas paisagens interiores.
Como sobrevivente de um câncer, falo também, de modo especial, aos que sofreram ou ainda enfrentam sua insídia. Nossa palavra traz a intenção não só de consolá-los, mas igualmente de auxiliá-los a extrair do doloroso episódio as lições indispensáveis ao nosso crescimento espiritual e a arrostá-lo com a coragem e a boa vontade que a vida nos pede. Acreditamos que, aclarando as razões de sua presença em nosso destino e a função que ele cumpre no cortejo da vida, aceitá-lo-emos com mais facilidade, não perderemos a confiança nas forças espirituais que nos dirigem e nos resguardaremos de cair no fosso do desespero ou resvalar pelo rebojo da revolta, condições que apenas agravam nosso estado.
Evidentemente que o tema não se acha esgotado e muito ainda nos falta para elucidar tudo o que necessitamos saber sobre a estranha enfermidade, a fim de superá-la em definitivo. Nada mais fizemos que entreabrir mais um pequeno véu a permitir-nos observá-la sob os olhos do Espírito. E para isso evocamos não só os preceitos espíritas, mas também importantes digressões suscitadas pelas medicinas complementares. Restringimo-nos, no entanto, às preleções da homeopatia, exaltando aquelas que julgamos úteis na elucidação do tema.
A essas seguras fontes de informações, agregamos as excelsas ilações que nos foram ofertadas por Pietro Ubaldi e que consideramos essenciais. Trata-se de um filósofo espiritualista e cristão, nascido na Itália, cujas importantes revelações de natureza espiritual representam o limite máximo que podemos alcançar na atualidade sobre o conhecimento de nós mesmos e dos fenômenos que nos envolvem. Municiados com esse rico material, foi-nos possível penetrar nos grandes mistérios que envolvem a sanha maligna, intentando solucioná-los.
Ainda ignorada pela maioria dos estudiosos do Espiritualismo moderno – e renegada por muitos por simplesmente desconhecê-la –, a obra de Pietro Ubaldi, com sua especial interpretação de Deus, do Universo e do Ser, faz-se, assim, a viga mestra deste trabalho. São ensinos superiores que se prestam a iluminar todos os domínios da epistemologia humana e não apenas as filosofias e as religiões. Por isso, evocamo-los para nos auxiliar a alcançar uma visão transcendental do levante carcinogênico. E podemos afirmar, categoricamente, que se mostram os únicos capazes de permitir-nos identificar com maior precisão as profundas raízes da ameaçadora moléstia, fixadas nos meandros da consciência imortal.
Aos materialistas, pedimos que se abram às possibilidades de que a vida transcende em muito as conjunções biomoleculares que a sustentam. E que aceitem como premissa axiomática a existência de forças superiores no comando e na organização da massa biológica, oriundas do Espírito. Ainda que lhes pareça uma solicitação fideísta, ela se faz indispensável para penetrarmos nos insólitos meandros da patologia tumoral. Além do mais, admitir que a origem da vida, a sábia orientação e o preciso telefinalismo que a movem se devam a amontoados de átomos é uma crença muito mais exótica que conceber a existência de uma sabedoria ínsita em sua fenomenologia e que extrapola seus componentes estruturais. Não há dúvida de que se trata de uma explicação muito mais lógica e compatível com o inteligente funcionamento que observamos na natureza e, especialmente, na vida.
Aos espiritistas e espiritualistas, solicitamos que se convençam de que os ensinos trazidos pelo místico italiano, Pietro Ubaldi, merecem ser examinados. Estamos seguros de que suas revelações seguem a programação estabelecida pelo Mundo Superior, que sempre nos envia novos mensageiros para nos conduzir aos planos elevados do Espírito. Estejamos atentos ao nosso hábito de rejeitar o que a princípio parece não estar de acordo com as crenças que já sedimentamos como verdades. É um fato que se verifica com todas as inovações do conhecimento, sempre combatidas pelo misoneísmo vigente até que sejam aceitas como retratos da realidade. Isso nos demonstra que o maior obstáculo ao nosso progresso não é exatamente a ignorância, mas a dificuldade em abandonar velhos conceitos. Immanuel Kant, refletindo sobre essa questão, deixou-nos a pertinente asserção: “O sábio pode mudar de opinião; o ignorante, nunca”.
Antes, porém, de atirar-nos aos novos conceitos que sobremodo nos interessam e colher suas pertinentes conclusões, faremos um breve passeio pela história do câncer, procurando conhecer um pouco sobre o que a medicina do passado e a do presente têm a nos dizer sobre seus intrépidos mecanismos fisiopatológicos. Embora para muitos possa parecer que nos demoramos em detalhes médicos até certo ponto desnecessários, acreditamos que, conhecendo um pouco da natureza e da instigante engenhosidade dos tumores até onde nos é possível, estaremos mais bem aparelhados para embrenhar-nos nas transcendentais considerações que nos importam.
A ciência reducionista tem sido vitoriosa em nos aferir os meandros biomoleculares do câncer, sendo inegável o valor de suas descobertas. Seus avanços, porém, permanecem aderidos à visão materialista da vida, intentando convencer-nos de que a tempestade tumoral se precipita em nosso meio interno por simples obra do acaso. Certa de que singramos o oceano do tempo ao sabor de forças aleatórias em um universo acidental, ela não leva em consideração a existência de ordenações superiores no comando da vida. Contudo, nós, espiritualistas, enraizados nas revelações místicas de todos os tempos, estamos seguros de que, embora o racionalismo científico nos mostre fatos incontestes, suas interpretações são incompletas e insuficientes, tratando-se de evasivas hipóteses que somente nos atormentam a alma e nos afastam dos salutares benefícios da fé.
É hora de superarmos o contumaz materialismo médico ainda vigente, trazendo para o campo da saúde humana conhecimentos que nos assegurem que vivemos sob os auspícios de Leis não só soberanas, mas sobretudo sábias e bondosas, que conhecem objetivos superiores a serem alcançados e que não nos entregariam às garras de enfermidades tão impiedosas quanto o câncer sem uma razão que as justifique. Precisamos abastecer-nos com a certeza de que nos achamos em um cosmos sabiamente dirigido, subordinado a poderosas diretrizes que almejam, sobretudo, conduzir-nos a um glorioso futuro, justificando-se todas as patologias a que estamos expostos na sofreguidão das eras. Para tanto, necessitamos evocar as lições de um Espiritualismo superior, convincentes o bastante para suplantar os frios tentáculos do racionalismo científico e sustentar-nos a fé ainda titubeante ante suas enganosas persuasões. Esse é o caminho delineado nesta obra.
A despeito de abordarmos um tema médico, não escrevemos unicamente para profissionais da saúde, o que nos levou a definir os termos especializados ao apresentá-los pela primeira vez. Ainda assim, dispusemos, no início de alguns capítulos, sob a denominação de Definições necessárias, uma lista de palavras indispensáveis ao desenvolvimento dos assuntos abordados e que poderiam representar alguma dificuldade a um Leitor não habituado à terminologia da medicina ou das ciências espiritualistas. Muitas delas são redefinidas e mais bem explicadas ao serem apresentadas no texto. Outras, contudo, por serem de uso comum, não receberão novas aclarações. Por isso, é recomendável que o interessado em absorver o conteúdo deste estudo com o máximo proveito percorra esses mementos introdutórios, inteirando-se antecipadamente dos vocábulos que poderiam suscitar-lhe alguma dúvida. Ademais, agregamos no final da obra um glossário geral, contendo todas as expressões definidas nas introduções dos capítulos, bem como outras que poderiam interessar ao Leitor, mas que não implicam a compreensão dos assuntos estudados. E servirá ainda a uma rápida consulta para revisão de conceitos, caso se faça necessária.
Os números entre parênteses ao lado das citações que adornam o estudo se referem à lista bibliográfica que se encontra no final do livro, onde o Leitor poderá colher os dados completos da obra referendada.
Empenhamo-nos, assim, em fazer desta coletânea de conceitos um livro de esperança que nos sirva para encontrar propósitos superiores na tragédia do câncer e superá-lo com a dignidade e a certeza de que haveremos de subjugá-lo pelas vias do Espírito, banindo-o em definitivo de nossa peregrinação pelos escaninhos da carne.
Além de intrigante, o assunto é amplo e não trazemos a pretensão, em absoluto, de havê-lo esgotado nesta simples abordagem. Por isso, este trabalho é uma mera introdução ao tema, visando estimular a todos os interessados a se juntarem a nós nesse grande esforço de desvendar seus velados meandros com as ferramentas da inspiração e da Espiritualidade superior. Esperamos, assim, superar as amarras do insistente reducionismo médico-científico atual que segue enredando-nos em um interminável cipoal analítico. Este jamais nos conduzirá às raias da verdade, pois, nós, que nos ancoramos no Espiritualismo, estamos convencidos de que a real fonte do câncer, bem como de todas as doenças naturais, acha-se muito além dos umbrosos antros da matéria, enraizada nos arcanos da consciência eterna.
Nova Lima (MG), verão de 2025
Gilson Freire
DISPONÍVEL PARA VENDA NO SITE https://amemg.com.br/ame-editora/