Homeopatia e Obesidade

Imprimir

HOMEOPATIA E OBESIDADE

A Homeopatia pode estimular equilíbrios e sanar uma predisposição à obesidade, mas não pode, em absoluto, reduzir o peso que já foi incorporado ao seu organismo. Não existem medicamentos homeopáticos para emagrecer, isso é um equívoco. Existem de fato produtos fitoterápicos que muitos confundem com Homeopatia. Como já definimos a Homeopatia atua por ação do semelhante e aborda o doente e não a doença, portanto ela não se utiliza de medicamentos específicos para uma determinada enfermidade. Embora se encontre isso na prática popular da Homeopatia, isso é uma adulteração de seus princípios e não se justifica. Portanto convém evitar o uso das famosas cápsulas homeopáticas emagrecedoras, pois não fazem bem, uma vez que são associações de substâncias tóxicas e ativas muito prejudiciais à saúde, como diuréticos, inibidores químicos de apetite, laxantes, hormônio tireoidiano e calmantes, juntos com alguns produtos ditos naturais, como cáscara sagrada e centelha asiática. Repetimos, isso não é Homeopatia, esses medicamentos não são homeopáticos. Nada poderá lhe dispensar a reeducação alimentar, a necessidade de atividade física e a mudança de hábitos. A Homeopatia poderá lhe ajudar estimulando seu equilíbrio emocional, reduzindo a sua ansiedade e conduzindo-a a uma saúde mais completa. Apenas isso.

Particularmente eu condeno todos os medicamentos redutores de apetite e as intermináveis dietas de fome. Penso, em acordo com outros estudiosos da área, que a carência a que se submete o organismo estimula um mecanismo compensatório de absorção e aumento do apetite. Nas mínimas oportunidades em que o inconsciente consegue romper a imposição da vontade, promove um exagero da fome, o aumento da ansiedade durante a alimentação, intensificação dos mecanismos de absorção e acúmulo de gorduras. O organismo se comporta então como se estivesse submetido a privações e necessitasse, contra as quais deve se precaver. É o mesmo mecanismo que evolutivamente submetia o ser à seleção natural,  em épocas de privações, e permitiam a sobrevivência somente daqueles que mais rápido se alimentassem e mais conseguissem acumular do alimento disponibilizado no momento. Só que, agora não se trata mais disto, temos alimento em abundância, e esse mecanismo passou a ser contraproducente, levando ao famoso efeito sanfona, tão drástico para a saúde. Para rompê-lo é preciso permitir-se a satisfação na alimentação. É preciso convencer o organismo de que não faltará alimento, portanto, não se deve passar por longos jejuns.

Deve-se comer com frequência (sem exageros) de modo a não se permitir o deflagrar do gatilho da fome exagerada. Deve-se comer coisas gostosas a fim de apaziguar a satisfação psíquica. Deve-se comer bem devagar, a fim de não simular uma situação de carência, como se tão cedo não fosse mais haver outra oportunidade de se comer novamente. Deve-se degustar ao máximo tudo que se come. E para isso é preciso prestar bastante atenção ao que está na boca, não fazendo outra coisa do que comer na hora de comer, evitando ler, ver televisão, conversar afoitamente, distraindo o organismo da apreciação do alimento. Deve-se evitar líquidos na refeição, pois eles também impedem essa degustação do alimento, se deseja bebe, faço-o moderadamente e após ter engolido o alimento e terminado de lhe sentir os últimos sabores. Exagere na mastigação, pois ela informa ao cérebro o grau da satisfação psíquica do alimento. Quanto mais rápido você comer, menos sentirá o sabor e mais comerá para satisfazer esse apetite psíquico, que é o simples desejo de saborear os alimentos. Deve-se comer de tudo, inclusive massas, porém reduzindo drasticamente a sua quantidade, bem como das gorduras. Evite ainda o uso abusivo de proteínas em substituição às gorduras e massas, pois está provado que quando em exagero, elas podem desencadear o mecanismo da privação. Retire tudo que for gordura de sua dieta: manteiga, margarina, sorvete, carnes gordas, maioneses, pratos cremosos, ovos em excesso e, naturalmente, as frutas e verduras são liberadas a gosto. Prefira sempre alimentos fibrosos, integrais, pois as fibras não sendo absorvidas, aumentam a nossa saciedade e retém gorduras no bolo alimentar.

Particularmente recomendo a prece sistemática antes de comer, como um eficaz mecanismo apaziguador da ansiedade. E são contraindicadas estas dietas baseadas em maçantes cálculos calóricos, que promovem uma verdadeira neurose em quem as adota. Junte a tudo isso uma moderada, porém constante atividade física e pronto. Com paciência e bom animo dá certo.

Evidentemente que o melhor mesmo é você contar com a orientação de um nutricionista, e segui-la rigorosamente.

Belo Horizonte, agosto de 2004

Gilson Freire

Thursday the 29th. . Custom text here